A Academia Carnavalesca Recreativa Escola de Samba Brinca Quem Pode nasceu em 17 de fevereiro de 1947, na cidade de Laguna, fruto da união de homens e mulheres, em sua maioria negros, que buscavam espaço para viver o carnaval de forma popular e inclusiva.
Em uma época em que a folia estava restrita aos salões da elite, o Brinca surgiu como um movimento de resistência cultural, levando o samba para as ruas e dando voz ao povo. Desde o início, destacou-se pela alegria contagiante, pela força de sua batucada e pelo espírito comunitário que até hoje marca sua trajetória.
Resumo da Escola
Ao longo das décadas, a agremiação evoluiu de bloco carnavalesco para escola de samba, consolidando-se como uma das mais tradicionais de Laguna. Com desfiles marcantes, enredos criativos e forte identidade cultural, a Brinca Quem Pode construiu uma história pautada na superação, na paixão pelo samba e no compromisso com suas raízes.
Mais do que uma escola de samba, a Brinca é patrimônio cultural da cidade, símbolo de resistência, diversidade e celebração popular. Sua história é escrita por cada componente, por cada desfile e por cada coração que bate no ritmo da Bateria Furacão.
Nossa fundação
A Brinca nasce da rua
Em 17 de fevereiro de 1947, em plena segunda-feira de carnaval, um grupo de homens negros decidiu que não ia mais ficar do lado de fora da festa.
Laguna era uma cidade dividida. O carnaval acontecia nos salões fechados das sociedades recreativas — e para entrar, era preciso ser sócio, convidado, pertencer à elite. O povo assistia da calçada. Os negros, então, simplesmente não tinham vez.
Foi nesse cenário que nasceu a Brinca Quem Pode. Não com recursos, não com sede, não com estrutura. Com samba no pé, instrumentos de sopro e uma vontade inabalável de brincar.
O nome foi sugestão de Valdemar Matos, o Valdemar da Macaca, e caiu bem, sem votação, sem discussão. Brinca Quem Pode. Uma ironia carnavalesca que dizia tudo: brinca como pode, com dinheiro ou sem dinheiro. Uma declaração de que o carnaval também pertencia ao povo, não somente aos salões.
Os fundadores
Os fundadores eram, em sua maioria, músicos da banda União dos Artistas e frequentadores do Clube Cruz e Sousa — o clube dos negros de Laguna, criado justamente porque as portas da União Operária estavam fechadas para eles.
Entre os que estiveram presentes naquele 17 de fevereiro estavam Antonio dos Reis, Antenor dos Reis, Adeládio Pires, Agenor Pinto, Almiro Pacheco dos Reis, Antonio Belmiro, Antonio Fernandes, Júlio Maurício, Osvaldo Barreiros, Primitivo dos Santos, Silvio Vicente — e o caçula da família dos Reis, aquele que se tornaria a alma da escola para sempre: Paulo Tibúrcio dos Reis, o Paulinho Baeta.
Paulo Tibúrcio dos Reis
Nascido em 5 de junho de 1922, Paulinho Baeta era músico desde que se entendia por gente. Pistom na mão, batucada no sangue, sorriso largo e jeito de quem não levava a vida muito a sério, exceto quando o assunto era a Brinca Quem Pode.
Foi ele quem comandou a batucada desde o primeiro desfile. Foi na casa dele, na rua Comandante Moreira, no bairro Progresso, que a escola foi construída ano após ano — as costureiras trabalhando na sala, as fantasias tomando conta dos quartos, a reunião de diretoria acontecendo na cozinha. Nos anos de maior movimento, a família mal tinha espaço para comer.
Baeta não precisava de cargo oficial para liderar. Sua opinião era a que mais pesava. Sua casa era o coração da escola. E seu pistom era o som que Laguna associava ao carnaval.
De Bloco a
Escola de Samba
O primeiro desfile foi simples como só podia ser: uma simulação de casamento na roça, sem enredo, sem carro alegórico, sem carnavalesco. Era um grupo de negros tomando as ruas de Laguna no que era, até então, território da elite.
Nos primeiros anos, a escola ensaiava onde podia, nos fundos da União dos Artistas, em garagens sem porta, à luz de velas quando necessário. A imprensa só tomou conhecimento da existência da Brinca dois anos depois, em 1949. Mas o povo de Laguna já sabia.
Durante décadas, a Brinca Quem Pode cresceu, formou gerações e conquistou o coração da cidade. O que começou como uma batucada improvisada foi ganhando estrutura, enredo, alas, alegorias.
Em 1980, quando o poder público determinou que as agremiações precisavam se apresentar como escolas de samba para disputar o campeonato, a Brinca não hesitou. Não era abandono das origens — era a evolução natural de quem sempre soube que o samba merecia espaço e respeito.
Nascia oficialmente a Academia Carnavalesca Recreativa Escola de Samba Brinca Quem Pode. Com sede no bairro Progresso, com a águia como símbolo e o vermelho e branco como cores, a escola seguiu desfilando, conquistando títulos e escrevendo uma história que pertence a toda Laguna.
A nossa história é a história do carnaval desta cidade, das ruas de paralelepípedo do centro, do pistom de Paulinho Baeta cortando a madrugada, das fantasias feitas à mão, dos títulos conquistados na avenida.
E agora, pela primeira vez, tudo isso está reunido em um só lugar, para que a memória da Brinca não se perca, e para que as próximas gerações saibam de onde viemos e para onde vamos.
Bem-vindo à nossa história.
Presidentes Notáveis
A trajetória do pavilhão Brinca Quem Pode é escrita por mãos firmes e corações apaixonados. Nesta galeria de honra, celebramos os líderes que, com sabedoria e dedicação, mantiveram viva a nossa tradição carnavalesca e cultural em Laguna ao longo das décadas.
Edson da Luz
1996-1998, 2017-2019, 2020-2022, 2022-presente
Janice dos Reis
2016-2017
Selma Antônio de Souza
2013-2015
Joel dos Reis
2009-2011, 2011-2013
Edemar Nascimento
2001-2003, 2003-2005, 2007-2009
Ademir Roque Filho
1988-1989, 1990-1992, 1993-1994, 1994-1996, 1998-1999, 1999-2000, 2000-2001
José Maurício
1986-1987, 1987-1988, 1988
Antonio Paulo Bento
1981-1982, 1982-1983, 1983
Erotildes Garcia
1978-1979, 1979-1980, 1980-1981, 1985-1986
João André dos Reis
1976-1977, 1977, 2005-2007
Luiz Benedito dos Santos
1971-1972, 1972-1973
Paulo Tibúrcio dos Reis
1970, 1977-1978, 1980
Além dos presidentes que marcaram época por mandatos mais longos e sucessivos, a entidade também contou com diversos nomes que estiveram à frente da presidência por períodos de até dois anos, cada um contribuindo de forma importante para a continuidade da história e da organização. Entre eles estão Bento Pascoal Machado, em 1968; Verges da Silva, também em 1968; Neri dos Santos, entre 1968 e 1969; João Leonel Correa, de 1969 a 1970; Antonio Correa, de 1970 a 1971; Carlos Martins, entre 1974 e 1975; João Carlos Pacheco dos Reis, de 1975 a 1976; Mário Vitor Rodrigues, em 1978; Valtair Ernesto da Silva, entre 1983 e 1984; Inácio Celso Abel, em 1984; Maurino Alberto Geraldino, de 1984 a 1985; Carlos Gualberto da Silva, entre 1989 e 1990; e Domingos de Carvalho Rosa, de 1992 a 1993.