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Enredo 2027

"Quem viveu vai lembrar...
Quem não viveu vai brincar!"

O enredo propõe uma viagem no tempo por oito décadas, celebrando momentos marcantes, personagens e manifestações que ajudaram a construir a identidade popular.

A narrativa busca reviver essas memórias e, ao mesmo tempo, permitir que as novas gerações as conheçam e as celebrem na avenida.

O enredo tem autoria de Bruno Matos e Lucas Silveira.

Sinopse

O tempo não passa. O tempo desfila. Ele atravessa gerações vestindo fantasia, carrega memórias nos ombros e bate no peito como tambor. O tempo da Brinca Quem Pode não se mede em anos, mede-se em emoção. É um tempo que canta, que resiste, que celebra. Um tempo que aprendeu a transformar dificuldades em festa e saudade em resistência.

 

Em 17 de fevereiro de 1947, no bairro Progresso, em Laguna, um grupo de jovens decidiu que o carnaval precisava ser do povo. Entre eles, Paulinho Baeta. Nascia ali, como bloco carnavalesco, a Escola de Samba Brinca Quem Pode. Não surgia apenas uma agremiação. Surgia um território de pertencimento. Um abrigo cultural onde a comunidade encontraria voz, ritmo e identidade.

Aquela chama acesa nos quintais, entre batuques improvisados e sonhos coletivos, atravessaria décadas. A escola cresceu, ganhou o carinho popular e o nome que virou símbolo: a “Escola do Povão”. Mas o tempo não caminhou sozinho.

 

A década de 40 viu o rádio reunir famílias ao redor das transmissões. A Brinca já pulsava na cidade que dançava ao som das marchas-rancho e marchinhas. Vieram os anos 50 e o encanto do cinema, das grandes telas, das divas e galãs que povoavam o imaginário popular. O mundo se modernizava e a escola acompanhava, transformando referências em fantasia, sonho em desfile.

Os anos 60 e 70 trouxeram revoluções culturais, novos sons, novos comportamentos, novas formas de ver o mundo. A música mudou. A juventude questionou. A sociedade se reinventou. E a Brinca, atenta ao seu tempo, preparava-se para deixar de ser apenas um bloco carnavalesco e iniciar uma nova trajetória como escola de samba.

Vieram os anos 80 e 90, com a televisão colorida invadindo lares, a explosão da cultura pop, a globalização aproximando distâncias. O mundo acelerou. A tecnologia encurtou caminhos. Mas, mesmo diante da velocidade das transformações, a essência permaneceu intacta: comunidade, pertencimento, emoção.

 

O novo milênio chegou digital. Redes sociais, telas nas mãos, informação instantânea. O tempo passou a ser contado em cliques. Mas a Brinca Quem Pode continuou sendo medida por batidas de surdo. Porque há coisas que não se substituem.

 

O calor humano da avenida, o abraço depois do desfile, o pavilhão tremulando sob aplausos — isso não cabe em nenhuma tela.Cada geração depositou sua própria história dentro dessa grande ampulheta coletiva. Pais ensinaram filhos. Filhos ensinaram netos. O samba deixou de ser apenas manifestação, tornou-se herança.

As engrenagens do tempo giraram. Houve desafios, crises, transformações sociais profundas, mudanças de costumes, de linguagens, de sonhos. O mundo mudou sua forma de se vestir, de amar, de comunicar, de celebrar. Mas a escola permaneceu de pé, reinventando-se sem jamais abandonar sua essência. O pavilhão seguiu erguido como farol de memória, lembrando que o carnaval é mais que espetáculo: é resistência cultural.

 

A águia que sobrevoa estas oito décadas não carrega peso — carrega orgulho. Seu voo é sustentado por raízes profundas fincadas no coração de cada componente que ajudou a escrever essa história. O carnaval da Brinca é ponte entre eras. É o rádio da década de 40 ecoando nas caixas de som modernas. É o cinema em preto e branco encontrando a explosão de luzes em LED. É a marchinha conversando com o samba-enredo contemporâneo. É tradição dialogando com inovação. Porque tradição que não acolhe o futuro vira silêncio. E a Brinca é som. É movimento. É convite.

Ao completar 80 anos, a Brinca Quem Pode não celebra apenas uma data. Celebra a permanência em meio às transformações. Celebra a capacidade de atravessar gerações, modas, tecnologias e mudanças sociais sem perder sua identidade. Celebra a prova viva de que a cultura, quando é verdadeira, não envelhece, renova-se. O tempo não fecha ciclos; abre caminhos. E assim, entre memórias que permanecem e histórias que ainda serão escritas, a Escola do Povão segue desfilando pela avenida e pela história.

 

Porque quem viveu vai lembrar…

Mas quem não viveu…

Vai brincar.

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